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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Cão Guia

   Antes do Adeus, estava enfartando, as pernas bambas, a boca seca e havia chegado a hora, tudo havia acabado, nada mais tinha restado, se não as doces lembranças que eram tão amargas aos olhos de quem sofria. Sofria, sofria e sorria, e, nada mais importava, nada mais enxergava, se não a morte de seus melhores dias e com eles, ela também ia, vazia. Seguia cega, sozinha, naquele trajeto infinito, onde seu cão guia era seu coração partido. Que azar o seu, o pobre cão não era treinado, fazia-a topar em pedras, cair em buracos e pisar em espinhos. Mas ela não ligava, tinha determinação e força de vontade, tinha certeza de que chegaria ao final da caminhada, que a seus lindos olhos cegos, era curta. Pobre coitada, não sabia que seu cão tinha errado o caminho, sabia apenas que ele seguia como ela mandava... Depois de muito cair e se machucar, sentiu que já havia chegado no fim da sua caminhada. Sorriu inocente ao saber que ele havia voltado, e poderia novamente senti-lo. Sim era ele, era o amor, o seu amor! Pôde então, enxergar mais uma vez... E quando enxergou, chorou com aqueles olhos esverdeados e solitários. Viu novamente seu amor indo embora... Sofreu, sofreu e morreu. Mais uma vez morreu... Xingou e culpou infinitamente seu estúpido cão guia, que agora, já está aposentado eternamente.